Gerações

Geração Terra (1975-1999)

Chegou a hora de falar da minha geração, os nascidos entre 1975 e 1999, e já aviso que não vai ser fácil defender a nossa moral. Para começar, até bem pouco tempo, ainda antes dos primeiros exemplares da Geração Fogo começarem a chegar aos montes no mundo, era bonito, do ponto de vista da minha geração, comer em Fast Food, dormir pouco, trabalhar muito e, se possível, ter um infarto antes dos 30 anos depois de esgotar as energias como trainee de uma grande empresa ou na direção de uma pequena startup.

Nós somos a geração Terra, a geração preocupada com a matéria. Entre 1950 e 1975 estudava-se para ter acesso às informações, para saber coisas que simplesmente eram legais demais e não se encontravam em outro lugares senão dentro dos centros de estudo como as universidades e nos livros. A primeira coisa que a nova Geração Terra fez (ou aceitou que fosse feito) foi reduzir a utilidade de uma formação científica acadêmica para o desempenho de uma determinada profissão. Estudamos mais do que os nossos pais, mas por motivos diferentes. Estudamos para ganhar dinheiro. Temos medo de ficar sem recursos, de ter que morar em baixo da ponte, apavora-nos a ideia do fracasso e encanta-nos a ideia do sucesso.

Neste novo e competitivo contexto o dinheiro ganha um apelo especial. Ele deixa de ser mera unidade monetária e meio de troca para tornar-se parâmetro de sucesso, de felicidade, de cultura, de poder, de realização pessoal e etc. Quem nunca, em nossa geração, já perguntou sobre uma determinada pessoa que não vê há muito tempo e ouviu algo do tipo: "-Está bem! Montou um negócio e ficou rico. Comprou um baita apartamento e tá com um carrão." Ou ainda: "-Coitado! Não deu nada o rapaz! Tá fazendo bico por aí e todo endividado."

Nós, da Geração Terra (1975-1999), somos mais novos em idade do que nossos pais da Geração Ar (1950-1974). Ao mesmo tempo, somos mais velhos no modelo arquetípico adotado coletivamente. Se os nascidos entre 1950 e 1974 tinham um arquétipo Ar que remete ao Jovem, os nascidos entre 1975 e 2000 possuem a energia coletiva da Terra, do Adulto responsável. Por isso é tão fácil para a Geração Terra acreditar que são o que possuem e sofrem de aflição com os assuntos relacionados à dinheiro, matéria. Temos uma tendência coletiva em acreditar que acumulando riqueza material, sendo alguém na vida, encontraremos uma saída para todos os nossos problemas existenciais incluindo a falta de reconhecimento ou merecimento. Agimos assim como se já não fôssemos alguém, como se não fossemos dignos de amor verdadeiro sem que antes tenhamos conquistas materiais para exibir e ostentar. Percebi que minha geração Terra cobra-se muito por carregar nas costas todo o peso da responsabilidade do arquétipo adulto que entristece quando não prospera e deixa de ter recursos para oferecer, de ser provedor.

Vimos anteriormente que uma geração é mais facilmente identificada quando ela termina e começa uma outra e são justamente os nascidos após o ano de 2000 que estão dando à minha geração, os tiozões modernos, a oportunidade de perceber o quanto damos valor à matéria, ao elemento Terra. Após tanto tempo de desequilíbrio resultante de um endeusamento do elemento Terra e, portanto, dos recursos físicos, materiais, do dinheiro e dos resultados, temos agora, através do contraste entre Geração Terra e Geração Fogo, a oportunidade de iniciar um processo de auto-reconhecimento e de cura.

Percebo que a geração que veio após 1999 mudou e já não é mais a Geração Terra porque quando falo com eles observo uma nova carência, uma qualidade diferente de fome. Sua fome não é por dinheiro, por comida, por matéria, por sucesso na carreira ou ascensão social. Eles até fazem um pouco disso nos imitando numa espécie de inércia geracional, onde a energia de uma geração mistura-se com a da outra. Mas, se observarmos bem quem está agora diante de nós no silêncio da nossa intuição e seguirmos a lógica dos 4 elementos que mudam a cada 25 anos, perceberemos que estamos lidando com algo novo, a Geração Fogo, cuja fome não é: sentido na vida.


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