Nova Ordem

Insights

No início deste material vimos que a Nova Ordem é uma resposta pedagógica da Natureza às ações do homem e que decodificar e entender esta mensagem é o caminho de cura para uma sociedade que deixou de reverenciar o que é eterno e verdadeiro e sofre buscando sentido no falso e passageiro.

Agora podemos entender bem o significado desta frase. Vimos que existe algo de eterno nos elementos Fogo e Água, ou seja, na Espiritualidade e no Amor. Também vimos que não importa o quão brilhante seja uma mente e o quão bonito e saudável seja um corpo, em algum momento a mente (Ar) e o Corpo (Terra) deixarão de existir.

Ar e Terra encontram-se agora justamente na parte inferior da jornada da vida, no mundo prático, ordinário e passageiro onde lidamos com os assuntos do dia-a-dia. Isso inclui negócios, formação acadêmica e contas para pagar. A chama da vida (Fogo) e o amor (Água) encontram-se no lado de cima que faz referência ao céu, a nossa origem antes de entrar nesta aventura material.

As melhores horas do dia são gastas trabalhando; bebês são separadas da presença constante dos seus pais porque estes estão preocupados em pagar as contas; corações vazios são preenchidos com comidas cada vez mais artificiais e em maior quantidade; a vida tem prazo de validade como se fôssemos pilhas descartáveis, saúde e a longevidade são vistas como ameaças à economia; o mundo espiritual serve ao mundo material e líderes espirituais, que antes praticavam o desapego à matéria, agora são os novos donos de negócios, latifundiários, deputados defendendo interesses privados.

A Terra, este arquétipo materno que naturalmente serve a todos em abundância e sem distinção, foi sequestrada e colocada a serviço de alguns de seus poucos filhos mediante um critério de seleção duvidoso. Capitalismo e comunismo, os principais regimes políticos/econômicos que disputaram a supremacia global no século passado focam toda a sua atenção na matéria e falham desconcertantemente e em igual grau de estupidez em promover o verdadeiro potencial do homem que acaba de desviando para objetivos econômicos e belicistas.

O foco na matéria também não veio sozinho, mas acompanhado de um egoísmo que ridiculariza a ideia ancestral de viver em Tribo, onde os filhos eram de todos e nenhuma alma era treinada para crescer em compaixão até os limites da sua própria família. O próprio conceito de família era outro, incluía não só todos os membros da tribo como também: outras tribos, os animais, as plantas e até os minerais. A Ecologia, portanto, se fazia de dentro pra fora. Os antigos sabiam que um mundo ético se constrói somente assim.

Mas a mensagem que parece assombrar o inconsciente coletivo hoje é outra: tenha boas notas na escola, faça um curso superior, encontre um bom emprego onde seja bem remunerado e tenha garantias, compre carro, casa e adquira tudo que alguém bem sucedido supostamente possui. Além disso, tenha um medo terrível de ficar sozinho, sem dinheiro, sem saúde, sem amigos e ser desprezado pela própria família.

E assim vive-se numa constante tensão, um mal-estar que não combina com os outros habitantes deste mesmo planeta. Animais e plantas, longe da nossa intervenção, parecem continuar no paraíso, em absoluta harmonia com o todo, perfeitamente integrados com a natureza e vivendo cada dia de uma vez, imersos em cada instante. O que é suficiente para provar que a confusão e o caos estabelecido na sociedade moderna não é causada por nenhum tipo de energia mística misteriosa que assola nosso planetinha, mas sim, por um movimento artificial e proposital voltado para à manutenção da condição humana em um estado de miséria.

Poderíamos retornar ao paraíso hoje mesmo, pois não é no mundo e sim no homem onde está o problema. Temos nas mãos o poder de fazer tudo de forma diferente, de forma mais bela, mais justa, mais exata. Para isso, será preciso compreender que andamos perdendo tempo demais tentando controlar e conquistar o mundo de fora, este mundo dos bens de consumo, da reputação, da opinião das pessoas à nossa volta. Ao fazermos isso, fugimos da nossa verdadeira responsabilidade: voltarmo-nos para dentro e aprender a ser senhor de nós mesmos, dos nossos impulsos, desejos, julgamentos e repulsas. Verdade esta tão bem e didaticamente exposta por Epicteto dois milênios atrás:

Das coisas existentes, algumas são encargos nossos; outras não. São encargos nossos o juízo, o impulso, o desejo, a repulsa – em suma: tudo quanto seja ação nossa. Não são encargos nossos o corpo, as posses, a reputação, os cargos públicos – em suma: tudo quanto não seja ação nossa. Por natureza, as coisas que são encargos nossos são livres, desobstruídas, sem entraves. As que não são encargos nossos são débeis, escravas, obstruídas, de outrem. Lembra então que, se pensares livres as coisas escravas por natureza e tuas as de outrem, tu te farás entraves, tu te afligirás, tu te inquietarás, censurarás tanto os deuses como os homens. Mas se pensares teu unicamente o que é teu, e o que é de outrem, como o é, de outrem, ninguém jamais te constrangerá, ninguém te fará obstáculos, não censurarás ninguém, nem acusarás quem quer que seja, de modo algum agirás constrangido, ninguém te causará dano, não terás inimigos, pois não serás persuadido em relação a nada nocivo.

O cenário que vivemos é justamente o que precisamos para evoluir. Esta reorganização da ordem dos elementos é uma resposta da natureza às nossas ações que aguarda pacientemente para ser compreendida e praticada até a sua plena realização. É uma lição difícil, mas sua correta aplicação pode ser a chave para entrarmos novamente no paraíso, numa nova Era da Sabedoria.

Nesta Nova Ordem aos poucos vamos esquecendo de onde viemos e virando bem terráqueos, super cabeçudos (Ar) e preocupados em ganhar dinheiro (Terra). Por isso, estar com as crianças (Águá), com os anciões sábios (Fogo) ou dar-nos um tempo sozinhos para ouvir a voz que vem de dentro é a oportunidade mágica pela qual anseia nossa alma de travar um poderoso diálogo interior.

Mas antes que se caia no erro dos extremismos, fica aqui um aviso: enquanto seres passando por esta experiência é importante saber que nosso centro não encontra-se exclusivamente no céu e nem na terra, nosso centro está no meio, numa perfeita harmonia entre Água, Ar, Terra e Fogo. Se deixarmos o Ar e a Terra de lado, cairemos em uma nova idade média; se deixarmos o Fogo e a Água de lado, teremos a perpetuação da sociedade moderna movida pela ganância que gera cada vez mais injustiça, esgotamento de recursos naturais, miséria e, principalmente, o mal estar de uma vida vazia, sem sentido.

O caminho do meio que reconhece a totalidade arquetípica presente nos 4 elementos sem radicalizar em nenhuma das suas extremidades, este é o caminho para a cura e despertar do Ser Humano Integral. Que aprendamos a lição imposta pela Nova Ordem dos 4 Elementos e possamos caminhar juntos para a Vitória.


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FIM

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