Nova Ordem

Nova Ordem

A vida se adapta. E conforme utilizamos do nosso livre arbítrio vamos desenhando nosso próprio destino como espécie. Construímos uma sociedade exageradamente focada no material onde o elemento Terra reina absoluto sobre os demais. A possibilidade de ter uma aparência melhor e dinheiro é vendida como remédio para todos os problemas que nos afligem. A seguir, explico o que mudou da Ordem Original (Terra, Água, Ar e Fogo) para a Nova Ordem onde estamos (Água, Ar, Terra e Fogo).

1º ÁGUA (A Criança)

Se no passado o primeiro desafio era sobreviver e fazer logo as pazes para sempre com o mundo material, hoje, devido a sua supervalorização o elemento Terra foi arrastado para depois. Logo de cara, assim que chegamos neste planeta, nosso novo primeiro desafio passou a ser com o elemento Água, momento de desenvolver a forma como lidamos com os demais e com as nossas emoções. Em outras palavras, é hora de aprender a ser amado e a amar.

Quando crianças, gritamos, reinamos, choramos intensamente e rimos com o corpo inteiro. Para o bem e para o mal, sentimos tudo num nível extremo, fora de controle, sem filtros, sem proteção, sem entendimento. A vida é pura emoção e num único dia é possível experienciar um dicionário inteiro com todas elas. É um momento de inocência porque o sentimento (Água) vem antes do conhecimento (Ar). No início deste processo não sabemos nem explicar o que sentimos (Água) em palavras (Ar) e, para sobreviver, dependemos da leitura de um ser mais sábio, os pais, a quem olhamos com a esperança de termos preenchidas todas as nossas aflições e demandas. Doce ilusão.

O pronome nesta fase água é o 'você'. Se preciso de algo é você (o outro) que tem que me dar. Se algo me aborrece cabe ao outro resolver. Se algo acontece e julgo como mau, outro é o responsável por fazer me sentir assim. Toda a responsabilidade está em cima dos demais e, ainda que parta deste entendimento errado, graças ao amor que entrega sem medidas a criança sobreviverá através do apoio dos pais.

É possível amar uma criança por dois motivos: o primeiro fator é biológico, as crianças são fofinhas com olhinhos grandes, mãozinhas pequenas e gordinhas que naturalmente despertam empatia; o segundo é porque o Amor (Água) sem Conhecimento (Ar) é inocência, já o Conhecimento (Ar) sem Amor (Água) é maldade.

A água, portanto, é o primeiro elemento a ser desenvolvido. Nada que não se sinta, que não faça sentido para o coração é aprendido nesta fase. Daí o fracasso ao tentar empurrar goela abaixo o conteúdo das disciplinas previstas no currículo tradicional escolar quando, na verdade, uma criança aprende ou deixa de aprender dependendo do tipo de amor que troca com os pais e os professores. Qualquer tipo de desordem nesta relação de amor significará problemas de aprendizagem. Para quem tem dúvidas sobre isso, sugiro investigar o legado deixado pelo alemão Bert Hellinger.

Relacionar-se bem é a primeira coisa que importa e o que sempre irá importar, pois as conquistas dos elementos na vida vão somando-se uns aos outros para formar o Ser Integral. Integralidade, conforme aprendi com meu mentor, significa ser Feliz (Água/Emoções), Culto (Ar/Cultura), Próspero (Terra/Saúde e Recursos) e Livre (Fogo/Espiritualidade), ou seja, alcançar mestria nos 4 elementos que compõem a vida.

A Água é fundamental porque é o novo primeiro elemento e marcará todo o restante da jornada. Um tropeço aqui, pode comprometer uma vida inteira. É na forma de lidar com as emoções na infância que se faz um adulto realizado; da mesma forma, é com uma juventude corajosa e cheia de iniciativa e nossas experiências sadias que surge o ancião sábio, pronto para devolver tudo ao mundo, livre para partir em paz.

O próximo elemento será o Ar e, se você lembra bem, os dois primeiros elementos da jornada compõem o processo básico que se encontra ao alcance de todo ser humano. Tanto na estrutura ancestral original (Terra, Água, Ar e Fogo) como nesta nova adaptação para os dias atuais (Água, Ar, Terra e Fogo) a água permanece entre os dois primeiros elementos. Isso tem um bonito significado: significa que a capacidade de amar é e sempre foi um passo básico para vida e que, apesar de às vezes não parecer, isso está ao alcance de todos, independente da quantidade de dinheiro (Terra), conhecimento (Ar) e até espiritualidade (Fogo).

Enquanto o coração for um terreno cheio de espinhos capaz de machucar os outros e a si mesmo, não será bom lugar para plantar sementes; somente no momento que aprendemos a apaziguar as emoções, deixando de ser escravo dos impulsos, é que a água se acalma, fica translúcida nos dá a oportunidade de ver além da superfície, dentro.

2º AR (O Jovem)

Não importa a forma como completamos o primeiro passo, todos sairão com um sentimento de que o amor não foi suficiente. Isso porque, antes de darmos o primeiro passo neste mundo, o passo da água, estávamos em outro lugar desprovido de todo tipo de carência. Nem os pais mais perfeitos podem competir com isso. Por isso, a busca de todo ser na jornada da vida, no fundo, é o reencontro da sua origem. Ao final, a morte não deveria ser um erro, mas sim, uma conquista, um retorno merecido e vitorioso para casa. O entendimento deste processo começa aqui, no elemento Ar, e sem uma mente, sem inteligência, como teríamos a chance de compreender?

Infelizmente os tropeços no primeiro passo com o elemento água podem comprometer o que vem a seguir. E se a inteligência não brotar naturalmente é preciso voltar, voltar ao passo número um, perguntar-se humildemente e honestamente o que aconteceu com nosso coração, com aquela criança que ficou pra trás. Vimos que uma mente sem amor nada é, já o amor sem a mente é inocência, a forma correta de começar e terminar a jornada. Por isso, a água deve vir primeiro sempre. Sem Amor, é melhor que não saibamos nada, pois sozinho, o frio Ar do conhecimento vira arma contra si mesmo e contra os demais.

É impossível falar com o mesmo carinho do elemento Ar assim como falamos do elemento Água. Claro que ele faz parte da composição do nosso ser sendo 25% de nosso potencial. Mas este elemento também é uma excelente armadilha para os buscadores. Seu encanto é sedutor. Suas palavras sussurradas desde o interior da nossa própria mente estão perto demais a ponto de convencernos do absurdo: de que nós somos ele.

É raro não cair em seus encantos. Este é o seu perigo. A vida busca perpetuar-se e esta vontade também está presente em cada um dos elementos. Mas em dois deles, o Ar (a mente) e a Terra (o corpo), a possibilidade da eternidade é falsa porque são elementos passageiros, temporais; são aqueles que temos que aprender a usar, honrar, agradecer e, finalmente, deixar morrer. Ao final, são os sentimentos (Água) e as conquistas da alma (Fogo) que importam. Nossa reputação, dinheiro, títulos acadêmicos, corpo, tudo isso relacionado a Ar e Terra deve ser encarado como é: um importante meio para passarmos bem pela experiência e nunca uma finalidade em si.

Já vivemos outras Eras da Sabedoria. Com sorte, caminharemos rápido para próxima. Por enquanto, o que temos são vestígios de outros momentos de consciência superior que já existiram. Vestígios como a simbologia ancestral dos 4 elementos:

Com apenas um ponto, fica difícil de representar qualquer símbolo. Se temos dois pontos, podemos criar linhas e linhas são o máximo que podemos fazer na dimensão número 1. Quando temos 3 pontos, podemos formar um triângulo, a primeira figura que surge na 2º dimensão. Na segunda dimensão podemos criar qualquer forma no papel ou paredes de cavernas. Portanto, o triângulo é primeira forma básica possível para representações de ideias em planos, uma forma prima, essencial, básica da segunda dimensão.

Um triângulo apontando para cima, é energia yang, masculina; para baixo, energia yin, feminina. Vou precisar um pouco da sua imaginação aqui mas, pelo que parece, os antigos viam no falo um ponto crucial para diferenciar homem de mulher. Escolheram representar o falo masculino como um triângulo voltado para cima e o feminino com um triângulo voltado para baixo.

De alguma forma, eles viram semelhança entre o primeiro e o pênis; o segundo e a vagina. Faz mais sentido quando podemos explicar isso usando as mãos e fazendo umas caretas. Fica a sugestão para tentar na frente do espelho e rir um pouco de si mesmo, afinal, levar-se a sério demais é o primeiro sinal de que nosso elemento Ar despirocou, enterrou a criança e agora quer reinar absoluto no lugar de servir como mero instrumento do Ser Integral.

Com base na simbologia ancestral é possível dizer quais elementos são de energia yang (masculina) e quais são de energia yin (feminina). Ar e Fogo, apontam para cima, portanto, são masculinos; Água e Terra apontam baixo, portanto, são femininos. Tanto o Ar quando a Terra são falsos, temporais, passageiros. Percebemos aqui que a falsidade não é um privilégio apenas do homem ou da mulher, está presente nos dois. No arquétipo masculino através do Ar, no arquétipo feminino através da Terra.

Ar (mente) e Terra (corpo) podem fazer maravilhas pela nossa jornada e contribuir sobremaneira para nossa própria evolução. Sem eles, não estaríamos aqui, passando pela experiência. Mas quando fora de controle, viram prisões fazendo-nos acreditar que somos eles e assim a vida torna-se um fardo insuportável, a possibilidade de uma saída vitoriosa daqui fica cada vez mais longe. Algo deverá morrer para que nasça o novo. Em algum momento Ar e Terra deverão ser conquistados, isso é a arte de viver; em outro momento, deverão ficar para trás, essa é a arte de morrer.

Ar bem utilizado é inteligência, criatividade, entendimento. Mal utilizado é a alegria da indústria farmacêutica que lucra com drogas que fazem dormir. Lembro de ouvir numa palestra do Augusto Cury que na sociedade atual, onde aprendemos tudo sobre o mundo de fora e nada sobre o mundo de dentro, uma a cada duas pessoas deve manifestar algum tipo de transtorno psiquiátrico. 3 bilhões de pessoas! Faça as contas e entenda porque a indústria da droga é o segundo maior segmento empresarial do mundo.

Os antigos sabiam das coisas. O Fogo dirige-se sempre para cima, a Água sempre para baixo. Tanto o Fogo (espiritualidade) quando a Água (amor) são eternos, portanto, reais. Logo, vamos apenas usar um triângulo puro para representá-los.

O Ar pode flutuar, a Terra sempre cai. Novamente podemos representar utilizando um triângulo para cima e outro para baixo. Mas, dessa vez, escolheram passar um risco atravessando o centro do símbolo, lembrando-nos de que existe algo perturbador a respeito destes dois elementos. Ar e Terra são temporários, importam apenas enquanto estamos passando pelo jornada, um momento onde ainda temos um corpo físico e um néo-cortex cheio de palavras, portanto, são falsos. De alguma forma era preciso separá-los da forma pura da Água e do Fogo, daí o Ar e a Terra serem riscados:

A dica esteve sempre lá. Se montamos uma sociedade voltada para a estimulação da mente (Ar) e acúmulo material (Terra) é problema nosso. Mas já deu pra perceber que sem Amor e sem a possibilidade de sermos algo para além desta vida continuaremos a viver num contexto de miséria, apego material, confusão, desunião, doença, sofrimento.

Outro sinal de que o Ar saiu do seu eixo é quando surge a ansiedade, uma preocupação exagerada com o futuro como se um rolo compressor fosse esmagar a gente. A mente é uma máquina de fazer predições, sempre está tentando advinhar o que vem a seguir. Neste processo acaba nos desconectando do momento presente. O sofrimento pode vir sem nem mesmo nos darmos conta de que a dor está sendo gerada pela própria cabeça e não pela realidade que se apresenta neste instante, no aqui e agora.

Nenhum elemento é ruim em sua essência. Com o Ar não é diferente. A novidade hoje é a quantidade e a forma do Ar disponível. Na sociedade atual, existem meios de super estimular a mente que se tornaram tão naturais que às vezes nem nos damos mais conta deles. A pior delas, na minha opinião, é a publicidade comercial. Basta uma TV ligada dentro de casa para plantar ideias na mente. E a publicidade comercial é inteligente. Se quer vender cerveja, usa uma mulher seminua. Se quer vender carro, usa uma mulher sensual passando pela rua. Se quer vender roupa ou jóias para as próprias mulheres, usa outra mulher que consideram mais bonita. É sempre um apelo para a biologia cuja mensagem subliminar é: se consumir chamarei atenção e terei sexo. Isso é o que acontece quando as melhores mentes da sociedade voltam-se ao serviço da indústria e passam a estudar o ser humano para explorá-lo. Ao plantar desejos de consumo poluem o Ar; ao utilizar a mulher como isca desonram a mãe Terra.

No passado, toda essa informação não vinha disponível aos milhares a todo instante. Era oferecida na medida que se aprendia a ler a própria natureza com paciência e apoio de um mentor. O conhecimento não se dava de forma caótica, construindo redes de pensamentos voltadas para o consumo; era transmitido diretamente por um ser mais sábio de forma que, no lugar de bagunçar, dava ordem ao aprendiz. Dessa maneira ancestral, a mente racional tinha mais chance de tornar-se o que deve ser: instrumento para permitir maior controle e entendimento sobre as emoções e sobre o próprio corpo ao mesmo tempo que serve de ferramenta para superar desafios práticos da vida desenvolvendo virtudes, criatividade e o entendimento de que a vontade do sopro da vida é que, apesar de tudo, sigamos sempre em frente sabendo separar o falso (Ar e Terra) do real (Água e Fogo).

Com informações para todos os lados é preciso repensar a pedagogia. O Ar sozinho não pode nos tirar desta confusão que ele mesmo nos meteu. Por isso, a solução que gerará a mudança necessária de paradigma não virá das universidades ou qualquer tipo de centro de estudos científicos se continuarem insistindo em depositar mais conhecimento na cabeça das pessoas. Se esta fosse a solução, o ser humano já teria apresentado uma resposta a este tipo de economia obcecada pela matéria. Afinal, razões acadêmicas/científicas não faltam para compreender que caminhamos para a autodestruição ao tentar preencher corações vazios com mais produtos ou dinheiro.

Nesta nova ordem mundial, a Água vem antes, depois vem e Ar e só então vem o momento da Terra. Precisamos entender bem isso se um dia pretendemos nos aproximar do Fogo. O Ar está posicionado entre Água e Terra e deve estar preparado para saber lidar com dois tipos de carência: frustração com o passado devido à falta de amor (Água) e a ansiedade com o futuro chamada preocupação com o dinheiro (Terra). O Ar fica bem ali no meio, como um jovem (Ar) espremido entre a criança (Água) e o adulto (Terra).

Imagine um jovem que, no lugar de estudar e se preparar mentalmente para a vida adulta sabendo receber e dar carinho a seus mestres, queira lançar-se precocemente ao mundo dos resultados (Terra) para logo ter muito dinheiro e estímulos prazerosos dos sentidos. Assim caminha a humanidade, uma sociedade de arquétipo jovem briguento, confuso e respondão, sofrendo com a carência de afeto e bens materiais ao mesmos tempo que se ilude pensando ser possível encontrar felicidade no acúmulo material e no sexo. Este é nosso arquétipo coletivo, ao menos, o da sociedade ocidental.

A mente (Ar) destreinada que culpa os elementos ao seus redor pelas suas mazelas e vende a si mesma como salvadora do mundo incorpora o mesmo arquétipo de jovem perturbado e nada conquista até aprender a receber e honrar o amor que tem.

Neste novo passo número 2, o passo do Ar, temos a oportunidade de acalmar um pouco nossa própria mente e desenvolver a inteligência e habilidades para fazer algo de maneira superior. É o momento de aprender a observar a voz da mente e saber diferenciá-la do real. Evitar estímulos desnecessários e buscar o conhecimento mais importante do mundo: o conhecimento de nós mesmos. É hora de desenvolver vida interna antes de assumir com responsabilidade os desafios da vida adulta. Esta fase tem como marco do seu fim não um título universitário, mas sim, o entendimento de que somos responsáveis por tudo que atraímos e que os desafios que se apresentam na vida não servem para definir quem nós somos, o que define quem nós somos é a maneira que escolhemos julgá-los e agir diante deles.

3º TERRA (O Adulto)

A idade aqui não é referência. Cada pessoa tem o encontro com o arquétipo adulto responsável somente no momento que se permite passar pela jornada interna de amadurecimento. Embarcar na vida Adulta é assustador, sobretudo quando tudo o que temos são as emoções confusas da infância e a mente inquieta da adolescência. Como ir adiante sem ter ninguém para culpar pelos nossos problemas? Como ser um solucionador de conflitos e não um causador? O que fazer diante da ausência de pai e mãe? A quem recorrer quando só resta a nós mesmos para lidar com os assuntos da vida?

É possível seguir todo o restante da jornada sem nem beliscar a fase adulta. Mas a Terra, quando nasce, tudo aceita. Não importa se enfiamos nela os alicerces de um arranha céu, tubos para extrair petróleo, todo tipo de lixo ou uma semente. Ela só recebe, aceita e toma como seu. Sempre busca estar por baixo porque sabe que esta é a melhor forma de cumprir com o seu propósito, servir de suporte aos outros elementos. Até mesmo a profundeza do oceano tem a Terra para sustentá-lo. Apesar disso, por conhecer a importância das raízes, a Terra pode brotar de si mesma e buscar o céu, como na Cordilheira dos Andes ou no Everest, alturas onde a água parece diamante, o Ar é puro e rarefeito e o Fogo, quando presente, é mágico.

Homenageamos o planeta com o seu nome e não podíamos ser mais felizes nesta escolha. Estamos todos aqui nesta jornada justamente para passar por uma experiência na matéria (Terra). Ela é o mais humilde e passivo dos elementos, terreno fértil para todo potencial de amor, inteligência e espiritualidade humana; é a mãe paciente que nos toma em seus braços quando chegamos e serve de casa para seus filhos sem esperar nada em troca. Sabe que um dia, se aprendemos bem suas lições, estaremos prontos para sair desta casa temporária para nunca mais precisar voltar.

A Terra, por si só, não é malígna. Tudo aceita e só deixa de ser terreno fértil porque vem acompanha de Água suja e Ar fora de controle. Ela é uma mãe que respeita totalmente o lívre arbítrio, mas não poupa seus filhos dos resultados. Devolve tudo o que plantamos. Nosso desajuste coletivo com a Terra, tornando-a escassa, privada, é precedido por um desajuste com nosso próprio coração (Água) e mente (Ar). Resolvamos primeiro o que vem primeiro, Água e Ar, e a ecologia, que no fundo significa amor (Água) e inteligência (Ar) pelos recursos da Terra, surgirá naturalmente.

Por isso, adulto é aquele que faz as pazes com a matéria e deixa de brigar com a vida. Tem coragem para buscar seu próprio centro e coloca seus recursos a serviço dos demais; o adulto é próspero, um terreno fértil para o amor, para a inteligência e tudo mais que puder brotar do potencial humano dele mesmo e dos demais, torna-se mais parecido com a própria mãe, a Terra, que tudo suporta, vira um porto seguro.

A fase adulta, momento Terra, pode ser traumática. Parte da humanidade vive sem os recursos mínimos para sobreviver e outra parcela ainda maior sofre com a preocupação de que um dia possa faltar algo. O acúmulo desmedido de recursos parece ser a resposta para toda esta aflição. A ideia de sucesso material está muito associada à conquista de recursos materiais exclusivamente para nossa própria família.

Na Era da Sabedoria a exigência vai mais além. Descobrimos, graças à ciência, que a Terra, mais do que possuir vida, está viva. Trata-se de um grande organismo que, quando saudável, entrega em abundância; quando doente, mostra sua força e busca o equilíbrio. A chave da prosperidade, portanto, daqueles cuja compaixão vai além do limite da própria casa, está no trabalho em harmonia com a vontade do Planeta, na busca de uma relação de simbiose.

Terra, no seu devido lugar, é elemento indispensável e abundante. Está ligada ao arquétipo feminino de mãe, capaz de receber a luz (Fogo) em seu útero (Água) e dar forma a um corpo (Terra) inteligente (Ar). É a base da alquimia da vida e na química tem relação com o carbono, componente chave a serviço de todo organismo.

Terra também está relacionado com a nossa saúde. Nesta nova ordem, a ela saiu do primeiro e foi para o terceiro lugar, deixando de ser uma prova para as crianças e passando a ser uma prova para adultos, quando uma alimentação desregrada e artificial durante anos costuma começar a cobrar o seu preço. Vivemos num ambiente artificial. Nossos alimentos estão contaminados com doses cada vez maiores de agrotóxicos e destruídos em sua essência através de modificações genéticas em laboratório. Ao mesmo tempo, o interesse da indústria alimentícia e farmacêutica garantem o surgimento de informações desencontradas e tornam difícil perceber o óbvio: os alimentos modernos estão nos mantendo doentes e matando mais cedo do que o necessário.

Alternativas existem para reconquistar a saúde na vida adulta e até purificar o corpo das porcarias consumidas na infância e adolescência quando parecia não existir outras opções. Tudo isso é possível quando surge o adulto responsável, alguém que aproveitou bem as fases anteriores e soube manter viva a alegria da criança e o entusiasmo do jovem interior.

Muitos foram os que se ergueram diante deste ataque proposital à saúde e deixaram como legado excelentes documentários e livros. Mas sem um coração voltado para o amor e uma mente buscadora da verdade é impossível sentir a beleza nestas obras e acabamos por defender irracionalmente nossa própria dieta. Novamente o problema não está na Terra, mas no que vem antes. A matéria não é problema, é solução. Resolvendo esta tempestade maluca causada pelo desajuste entre Água e Ar dentro de cada um a poeira da Terra começa baixar e voltar para o seu devido lugar.

A arte de viver está muito relacionada com a capacidade de separar o que é real do que é falso. O sofrimento surge quando tentamos fazer do falso algo real. Ar e Terra são falsos. Fazem um tremendo trabalho para a nossa evolução, mas são meros instrumentos. Um adulto responsável conquista tudo o que precisa, um adulto inteligente sabe que o tempo do relógio voa e se aproxima do fim. Observa tudo que construiu e tem coragem de fazer a pergunta capaz de guiá-lo para próxima fase: Qual o sentido de tudo isso?

Enquanto o carro, a casa, os restaurantes refinados servirem apenas para estimular os próprios sentidos a Terra será o novo limite. Mas se existe amor e verdade o passageiro percebe o fluxo da jornada, dá-se conta conta da sua brevidade. Mais do que nunca é preciso saber separar o falso do real. Com sorte, chegará o momento onde Água, Ar e Terra terão cumprido seu papel abrindo as portas para o último elemento, digno daqueles que passaram pela experiência sem dar marcha ré ou pegar atalhos: o Fogo.

4º FOGO (O Ancião)

Depois da Terra, vem o Fogo. Depois de passar duas vezes pelo falso, surge o real novamente. Independente da vida que alguém pode ter, no final, há apenas duas formas de morrer: em paz ou sofrendo. A qualidade da jornada também importa aqui, mas existe uma abertura maior para milagres no estágio final da vida. Às vezes, um último momento bem aproveitado, pode valer mais do que uma vida inteira na inconsciência. Quando o fim se aproxima, as máscaras caem, o ego se curva, a verdade renasce absoluta.

Querendo ou não, tudo irá mudar. Não importa o quão acostumados possamos estar com uma nova onda, outra tomará o seu lugar. A impermanência é uma verdade absoluta no universo e nada na Terra permanece igual para sempre. A ilusão de que tudo é sempre igual só nasce no momento onde não estamos mais dispostos a mudar e paramos de evoluir como indivíduo. Estar disposto a admitir que tudo muda, a compreender esta verdade, torna questionável até o nosso próprio resultado no matéria (Terra). Para que ir além do que é essencial e acumular desmedidamente? O que vou fazer com tamanha riqueza material quando chegar o momento de partir? Qual o sentido de tornar-se responsável, fazer as pazes com a matéria se, no final, tudo ficará para trás?

No início da jornada, não há razão para focar em espiritualidade. Praticamos o absurdo porque entendemos mal algumas das palavras deixadas pelos antigos. Crianças não estão aí para serem evangelizadas, catequizadas, circuncidadas ou o que for. Elas estão mais perto da origem porque acabaram de chegar, não precisam da nossa ajuda para se conectarem, basta deixá-las em paz e aproveitar para aprender com elas. Antes de mais nada, deixemos as crianças em paz, elas que são testemunho de verdadeira religiosidade e não pobres coitados que irão para o inferno se não forem salvos pelos adultos que sentem a necessidade egoísta de despejar nelas seus próprios medos e frustrações.

Crianças precisarão da ajuda dos adultos em outro processo, o de embarcar nesta jornada da experiência material. Aprendendo isso bem, naturalmente buscarão novas respostas para novas perguntas quando chegar o momento. Todos sabemos intuitivamente a necessidade de manter uma certa distância do fogo. Longe demais, sentimos frio; perto demais, nos queimamos. Achar que as crianças precisam ser religiosas é como jogar a Água no Fogo. Tudo que teremos será fumaça, ambos os elementos se anularão. Por isso, cada coisa a seu tempo.

Está em nossas mãos o lívre arbítrio de escolher qual o limite da nossa alma, se será do tamanho do nosso corpo e seus 5 sentidos, do tamanho da nossa própria família, do tamanho do país ou da humanidade. Mas independente de quantos seres iremos apoiar, o fato é que estamos neste mundo para servir. Passar bem pela experiência e honrá-la é entender que, ao final, apenas uma coisa importa ter acumulado ao longo de toda uma vida inteira bem vivida: gratidão.

A fase Fogo é o último estágio da experiência humana neste planeta. É a porta para o mistério que vem a seguir. Quando bem precedida pelos demais elementos carrega os ingredientes para a construção da Liberdade Final. As lições sobre o Amor na infância, sobre Inteligência na juventude, sobre Responsabilidade na vida adulta agora culminam num único ponto. Como feixes de luz que ao convergirem podem formar um poderoso laser, assim é um ser que teve o privilégio de subir degrau por degrau dos elementos até chegar ao Fogo. Agora, tudo se move apenas com o seu exemplo, o perfume que deixa no mundo basta para dar cabo às transformações.

É no domínio do elemento Fogo que os resultados verdadeiramente aparecem, mas já não existe apego a eles da mesma forma que um ser sábio não se confunde com seu próprio corpo, seu carro ou sua reputação. O Amor que tem, aprendeu com a Água, que agora brota da uma nascente interminável no próprio coração; a Inteligência que tem, aprendeu com o Ar, que sopra como brisa suave acendendo a chama da consciência nele e nos demais; os recursos materiais e a saúde que tem, aprendeu com a Terra, sabendo a importância de colocar tudo a serviço dos seus filhos sem esperar nada em troca.

Fogo sozinho, por outro lado, é fanatismo. Religião sem a devida abertura para passar humildemente pela jornada da vida e reconstruir-se uma e outra vez conforme a necessidade é desonestidade espiritual. A exata proporção entre os elementos Água, Ar e Terra devem estar lá, sem isso, a fase Fogo deixa de ser um preparo bonito para a morte para virar uma forma feia de permanecer em vida, agarrado às experiências dos 5 sentidos sem a possibilidade de colocar-se totalmente a serviço dos demais, sem agenda pessoal, com amor, inteligência e solidez.

O Fogo, devido a esta característica, continua soberanos no último degrau da evolução. Ele não mudou. Os antigos sabiam que apenas o homem e a mulher que alcançaram tal estágio eram os únicos capazes de guiar com sabedoria o próprio destino e também o da tribo. Tais anciões eram consultados para tudo que fosse relevante porque suas respostas estavam descontaminadas do egoísmo daqueles que ainda não estão prontos para partir. Era um tipo de governo bem diferente do que defende o senso-comum atualmente, cuja visão distorcida da democracia a faz parecer solução para todos os problemas políticos. Era o governo dos sábios, dos poucos que se transformavam em homens e mulheres Fogo, os verdadeiros benfeitores a serviço de toda a humanidade.

O domínio do elemento Fogo, portanto, é uma condição necessária para uma boa despedida, trata-se de uma fase da vida onde não se pratica mais a Arte de Viver, mas sim, a Arte de Morrer. Um sábio desapegado dos estímulos materiais sabe disso e semeia gratidão deixando para trás um legado que permanecerá vivo entre os homens. Vai embora em paz, sem sofrimento, consciente do que está acontecendo e feliz por regressar a sua origem depois de passar bem pela experiência. Despede-se dos braços maternos da Mãe Terra que o recebeu por aqui quando nasceu e retorna para o céu nos braços fraternos do Pai Celestial com alegria e sensação de vitória.


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