Números

Número 2

¨...Em cada encontro, em cada contato, vou ficando maior….Em cada retalho, uma vida, uma lição, um carinho, uma saudade…que me tornam mais pessoa, mais humana, mais completa.E penso que é assim mesmo que a vida se faz de pedaços de outras gentes que vão se tomando parte da gente também. E a melhor parte é que nunca estaremos prontos, finalizados…haverá sempre um retalho novo para adicionar à alma... ”
Cora Carolina

A percepção humana nasce do contraste. Sabemos o que é um homem porque existe a mulher, o que é preto devido ao branco, o quente pelo frio, o que queremos ser amanhã pelo que somos hoje. O símbolo do Yin Yang é a melhor representação existente desta ideia de dualidade.

Saltos na evolução não costumam ser bem vindos. E a primeira lição que o 1 deve aprender antes de virar 9 é sobre Relacionamentos através do número 2. Aqui percebe-se que "o outro" existe e é preciso aprender a estar junto. Quem possui tamanha iniciativa como um 1 lança-se para o mundo. Graças a isso, vai acabar se metendo em todo tipo de situações. A primeira coisa que o 1 encontra é justamente este outro 1. Deste encontro nasce a energia e as lições do 2.

Ah, o outro! Que seríamos sem ele? É possível um filho sem uma mãe? Um amante sem a sua amada? O queijo sem a goiabada? O 1 que vai virando 2 está no início da sua jornada. No início é fácil ser inocente e confundir o próximo degrau de uma longa escada com o destino final. Por isso, o número 2 tem uma relação de dependência com o outro para existir. Em situações extremas, a miopia de achar que isso é tudo que existe, poderá levá-lo a afastar-se mais de si mesmo acreditando que, sem o outro, nada é.

Até aqui costuma ir a média da humanidade. Isso explica as novelas serem sempre iguais. Às vezes, algum filme ou seriado vai além, mas são pouco compreendidos. Já as novelas, destas precisamos desistir. Creio que não há esperança para elas. Sempre o mocinho ficará com a mocinha na medida que se livrarem do vilão. Esta pedagogia da novela é negativa porque nos faz acreditar que a origem de nossos problemas é sempre "o outro" e não nós mesmos. Na novela basta identificar quem é o vilão, o mocinho e a mocinha. O final, já sabemos.

Na vida real, o único vilão capaz de causar verdadeiro dano nunca é ninguém além de nós mesmos. Por isso, é preciso saber se relacionar para que as relações sejam fonte de felicidade e não de transtornos sem fim. Esta cura começa quando damos o primeiro passo: percebemos que o outro é um espelho, fala mais a respeito de nós mesmos do que dele próprio.

Um mentor estrangeiro mais jovem e mais sábio do que eu me explicou uma vez, quando eu estava em apuros, que relacionamentos sadios dependem de uma certa geometria para existir. Este, talvez, tenha sido o ensinamento pelo qual paguei o preço mais alto para conquistar. Mas valeu a pena! Agora posso compartilhá-lo por aqui.

Para medir uma relação colocamos a pessoa no centro e traçamos uma linha horizontal e outra linha vertical.

A linha horizontal é um eixo onde temos, de um lado, o respeito que temos pela pessoa e, do outro, a intimidade que temos com ela. Idealmente, o tamanho de ambos os lados deve ser sempre igual. Quanto maior, melhor, mas a proporção equilibrada é mais importante do que o tamanho.

Caso esteja em desequilíbrio havendo respeito demais com pouca intimidade isso resulta numa relação superficial que nos afasta dos assuntos da alma. No outro extremo, intimidade demais com pouco respeito pode ferir a alma.

A linha vertical tem outro significado. A parte de baixo é o quanto de apoio oferecemos para uma pessoa; a de cima, o quanto a admiramos. Novamente, a ideia aqui é a busca de um equilíbrio. Se admiramos muito uma determinada pessoa e não a apoiamos na mesma proporção temos uma relação entre o e o ídolo. Isto costuma ser destrutivo para ambos os lados pois seduz o ego do ídolo a pensar que é mais e o do fã a achar que é menos. No final das contas, nem fã, nem ídolo, ganham com isso e a relação tende a terminar com o tempo.

Outro cenário é quando a linha do apoio é grande demais e a da admiração é pequena. Esta relação também é problemática porque é muito difícil apoiar de verdade uma pessoa que não admiramos. Costuma-se fazer isso em troca de dinheiro. Mas tal troca nunca parecerá justa. Funcionários sempre desejarão mais benefícios dos seus chefes e chefes sempre desejarão melhor rendimento dos seus funcionários. Não importa de qual lado esteja, patrão ou empregado, esta não é uma relação sadia quando não vem acompanhada de equilíbrio entre apoio e admiração independente da quantia envolvida para tentar manter a relação.

A verdadeira relação possui uma grande amplitude equilibrada horizontal e verticalmente. Verticalmente apoiamos na medida que admiramos e horizontalmente respeitamos ainda mais aqueles com quem temos maior intimidade e não menos. Dizia meu sábio mentor: "Tente fazer diferente e observe as consequências!" Agradeço-o imensamente pela lição.

Uma relação equilibrada nestes termos é fonte de felicidade, é impulso para seguir adiante. E é a felicidade que vem deste desenvolvimento sadio do 1 e do 2 que começa a surgir o 3, onde nasce a alegria de viver. Mas antes, guarde bem isso, toda esta iniciativa do 1 para seguir adiante e este apoio sadio do 2 através das relações sadias deverão ser as primeiras conquistas.

Aprender a estar junto numa relação verdadeira é gerar uma espiral de crescimento evolutivo mútuo políndo-se para gerar virtudes, como: honestidade, fidelidade, humildade, comprometimento, paciência. Somente neste estágio, o arquétipo masculino ligado à energia do número 1 e o arquétipo feminino ligado a energia do número 2 merecem gerar o número 3, o arquétipo do filho feliz, criativo e brincalhão.


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