Números

Número 6

"Só sei que nada sei"
Sócrates

O número 6 é ponto crucial da jornada. Até aqui a vida exterior, a opinião dos outros, foi ganhando um grande peso. Mas ao olhar honestamente para fora, maravilhando-se e bebendo daquilo deixado por grandes homens que vieram antes, sem saber, o indivíduo leva para dentro a fonte do conhecimento capaz de regar a semente do seu autêntico saber.

No início, era apenas uma semente, mas logo, com o passar das décadas, um forte caule vai se revelando e sua presença já não pode mais ser ignorada. A vida interior, alimentada com uma disciplina sadia torna-se, pela primeira vez, superior à vida exterior. Um novo centro surge no 6, o centro em si mesmo. Não há mais a necessidade de arrogância, existe uma aceitação total das próprias limitações e vulnerabilidade. Ele nunca será mais o mesmo. Deixou de ser marionete dos estímulos incontroláveis que vêm de fora, agora vive e fala desde dentro.

O 6 bem desenvolvido é o Estado da Arte da Filosofia, ou ainda, a transcendentalidade da Filosofia que vira pulsão para a Vida Interior e começa a explicar mistérios compreendidos pelos seres que foram além do mero acúmulo de conhecimento. Torna-se chave de acesso à alma.

O número 6, portanto, descobre este imenso oceano que existe por dentro, várias vezes maior do que o mundo de fora. Vive a experiência de nunca estar sozinho porque o tempo todo passa a contar com sua nova e própria companhia. Ainda que o papel prático que o mundo lhe reserve seja o de um aparente escravo por fora, um Epíteto habitará por dentro.

Há uma história que fala de um grande Mestre que vivia com seus discípulos num templo arruinado. Eles viviam de doações e esmolas conseguidas numa cidade próxima que estavam longe de garantir um padrão razoável de vida. Inconformados com a situação de miséria onde viviam e pediram orientação ao sábio mestre que tinham diante da constatação de que o mosteiro estava literalmente caindo aos pedaços. O mestre, então, deu um conselho muito simples, o de irem até a cidade próxima e roubar desde que não fossem vistos por ninguém, afinal, aquilo pegaria muito mal aos membros do mosteiro e toda a tradição que representavam.

Isso naturalmente gerou um pouco de discussão por parte dos discípulos que chegaram a pensar que o velho Mestre já não estava vivendo nos seus dias mais brilhantes. Ainda assim, resolveram seguir seu conselho e retiraram-se para roubar tudo que precisavam na cidade.

Todos foram, exceto um único discípulo que parecia convicto a ficar. O Mestre aproximou-se dele. Queria saber porque resolveu não seguir o seu aconselhamento. O discípulo explicou que jamais deixaria de seguir seu aconselhamento, aliás, naquele mesmo momento ele o estava fazendo. "-Mas como? Se todos foram e apenas você ficou para trás?", perguntou o mestre.

O garoto respondeu: "-Não importa aonde eu vá, sempre estarei olhando para mim mesmo. Meus próprios olhos me verão roubando". O sábio mestre abraçou o garoto com um sorriso de alegria. Após alguns anos, aquele garoto também tornou-se um grande mestre.

Falamos antes sobre a geometria do 0 e do 9. Observe que o 6 também traz esta mesma força. Ele é como um 9, só que invertido. Por isso, o círculo, a parte divina, antes de ser encontrada no céu quando atinge o 9, acontece primeiro no mergulho profundo no oceano interior através do 6.

Do 6 depende a qualidade da transcendentalidade que um dia poderá ser encontrada no 9. É na medida que evoluímos por dentro que o mundo se revela por fora. Sem o 6, a religião ou código moral do 9 é muleta para a alma. Com o 6, a religiosidade brota de um entendimento natural e diminui a distância entre corações humanos, aproxima as pessoas no lugar de segregá-las.

Para tirar este círculo da matéria e levá-lo para o céu basta trilhar o restante da jornada. O 6 virará um 7 com uma visão e um exemplo superior, um 8 próspero capaz de trabalhar ao mesmo tempo a relação com a Terra e com o Céu e, finalmente, um 9 já calejado com a viagem e merecedor de voltar para casa de onde saiu quando o 0 (zero) fez-se 1.


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