Números

Número 6

Te advirto, seja tu quem fores!
Oh! Tu que desejas sondar os arcanos da natureza,
que se não achas dentro de ti mesmo aquilo que buscas,
tão pouco poderás achar fora.
Se tu ignoras as excelências de tua própria casa,
como pretendes encontrar outras excelências?
Em ti está oculto o Tesouros dos tesouros.
Oh! Homem! Conhece a ti mesmo e conhecerás
o universo e os Deuses.
Tales de Mileto

O número 6 é ponto crucial da jornada. Até aqui a vida exterior, a opinião dos outros, foi ganhando um grande peso. Mas ao olhar honestamente para fora, maravilhando-se e bebendo daquilo deixado por grandes homens que vieram antes, sem saber, o indivíduo leva para dentro a fonte do conhecimento capaz de regar a semente do seu autêntico saber.

No início, era apenas uma semente, mas logo, com o passar das décadas, um forte caule vai se revelando e sua presença já não pode mais ser ignorada. A vida interior, alimentada com uma disciplina sadia torna-se, pela primeira vez, superior à vida exterior. Um novo centro surge no 6, o centro em si mesmo. Não há mais a necessidade de arrogância, existe uma aceitação total das próprias limitações e vulnerabilidade. Ele nunca será mais o mesmo. Deixou de ser marionete dos estímulos incontroláveis que vêm de fora, agora vive e fala desde dentro.

O 6 bem desenvolvido é o Estado da Arte da Filosofia, ou ainda, a transcendentalidade da Filosofia que vira pulsão para a Vida Interior e começa a explicar mistérios compreendidos pelos seres que foram além do mero acúmulo de conhecimento. Torna-se chave de acesso à alma.

O número 6, portanto, descobre este imenso oceano que existe por dentro, várias vezes maior do que o mundo de fora. Vive a experiência de nunca estar sozinho porque o tempo todo passa a contar com sua nova e própria companhia. Ainda que o papel prático que o mundo lhe reserve seja o de um aparente escravo por fora, um Epíteto habitará por dentro.

Há uma história que fala de um grande Mestre que vivia com seus discípulos num templo arruinado. Eles viviam de doações e esmolas conseguidas numa cidade próxima que estavam longe de garantir um padrão razoável de vida. Inconformados com a situação de miséria onde viviam e pediram orientação ao sábio mestre que tinham diante da constatação de que o mosteiro estava literalmente caindo aos pedaços. O mestre, então, deu um conselho muito simples, o de irem até a cidade próxima e roubar desde que não fossem vistos por ninguém, afinal, aquilo pegaria muito mal aos membros do mosteiro e toda a tradição que representavam.

Isso naturalmente gerou um pouco de discussão por parte dos discípulos que chegaram a pensar que o velho Mestre já não estava vivendo nos seus dias mais brilhantes. Ainda assim, resolveram seguir seu conselho e retiraram-se para roubar tudo que precisavam na cidade.

Todos foram, exceto um único discípulo que parecia convicto a ficar. O Mestre aproximou-se dele. Queria saber porque resolveu não seguir o seu aconselhamento. O discípulo explicou que jamais deixaria de seguir seu aconselhamento, aliás, naquele mesmo momento ele o estava fazendo. "-Mas como? Se todos foram e apenas você ficou para trás?", perguntou o mestre.

O garoto respondeu: "-Não importa aonde eu vá, sempre estarei olhando para mim mesmo. Meus próprios olhos me verão roubando". O sábio mestre abraçou o garoto com um sorriso de alegria. Após alguns anos, aquele garoto também tornou-se um grande mestre.

Falamos antes sobre a geometria do 0 e do 9. Observe que o 6 também traz esta mesma força. Ele é como um 9, só que invertido. Por isso, o círculo, a parte divina, antes de ser encontrada no céu quando atinge o 9, acontece primeiro no mergulho profundo no oceano interior através do 6.

Do 6 depende a qualidade da transcendentalidade que um dia poderá ser encontrada no 9. É na medida que evoluímos por dentro que o mundo se revela por fora. Sem o 6, a religião ou código moral do 9 é muleta para a alma. Com o 6, a religiosidade brota de um entendimento natural e diminui a distância entre corações humanos, aproxima as pessoas no lugar de segregá-las.

Para tirar este círculo da matéria e levá-lo para o céu basta trilhar o restante da jornada. O 6 virará um 7 com uma visão e um exemplo superior, um 8 próspero capaz de trabalhar ao mesmo tempo a relação com a Terra e com o Céu e, finalmente, um 9 já calejado com a viagem e merecedor de voltar para casa de onde saiu quando o 0 (zero) fez-se 1.


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